Ela sempre me inspirou! Quando conheci a Laiz Carelli, ela ainda trabalhava na construção civil. Arquiteta formada, vivia cheia de projetos de obras. Mas minha percepção de jornalista dizia que, embora ela soubesse muito do que estava fazendo, faltava algo ali. Um dia, mais ou menos nessa época do ano, em 2016, sentadas em uma mesinha da Ofner, a vi contar com os olhos entusiasmados o seu amor pelo desenho. O quanto desenhar preenchia cada parte do corpo e da alma dela. Ouvi também o quanto ela tinha medo de começar do zero. Naquele dia também, ela contou que foi demitida, que não sabia o que fazer. Foi aí que pra mim ficou bem claro: ela sabia o que fazer, mas tinha medo.

A Laiz {Lala para os que a conhecem bem} passou por um momento de mudança: queria mudar, fazer o que a inspira, mas como? Ela precisou de um recado da vida pra recomeçar. E, aos poucos, com seu jeitinho, foi se descobrindo nessa arte e se aprofundando no que ama fazer.

A Laiz é uma das desenhistas mais amor que eu conheço. E defino exatamente assim ‘mais amor’ porque é uma artista que coloca literalmente seu coração em cada traço. Sua timidez é uma característica que deixa sua alma ainda mais bela e desperta uma curiosidade em todos que a cercam. Seus olhos iluminam qualquer dia. Seu sorriso é realmente agregador. Com vocês, na história de hoje, Laiz Carelli.

.: Conta pra gente um pouco de você, o que você faz atualmente e como chegou até aqui?
 Sou uma pessoa tímida e que tenta viver da maneira mais leve possível com a total convicção de que gentileza gera gentileza.

Sou arquiteta e urbanista, formada pela Belas Artes de São Paulo, movida a criatividade, autossuperação e arte. Desenho desde que me conheço por gente, mas era uma coisa minha comigo mesma… até eu decidir fazer disso a minha profissão em 2017.

.: O que te motivou a ser arquiteta? O que te motivou a deixar a arquitetura?
O desenho nunca foi um dos motivos para eu escolher arquitetura, mas o fato de poder CRIAR ambientes agradáveis para as pessoas e uma relação com espaço que habitam. Não a parte superficial da coisa, a parte que toca o coração mesmo.

Foram 5 anos de faculdade, 3 estágios que me deram muita liberdade de criação e experiências incríveis. Ao me formar, fui contratada como arquiteta. Tempos depois, virei coordenadora de projetos cheia da parte burocrática e engessada do negócio. No início, tomei como aprendizado e dei meu melhor, mas 4 anos depois, aquilo não alimentava mais minha alma. Sabia fazer o que fazia, mas não me reconhecia ali… Sentia que tinha que mudar, não sabia como. Mas a vida, ah a vida! (suspiro), me deu um empurrãozinho.

Por conta da crise no setor da construção civil, perdi meu emprego, minha mãe acabou adoecendo e necessitava dos meus cuidados enquanto eu distribuía meus currículos por aí. Foi um período difícil (ainda não ficou fácil), mas como disse, procuro levar a vida da maneira mais leve possível. Voltei a fazer o que me dava prazer: desenhar. Era pra mim mesma. Mas convivo com pessoas incríveis que me incentivam tanto… Me fizeram me enxergar fazendo isso da vida e meu coração se aqueceu novamente.

.: Sentiu medo de mudar? Como lida com o medo?
Muito! Ainda sinto. Mas aprendi a lidar com o medo. Percebi que devo seguir em frente com e apesar dele. O medo me acompanha, mas quem manda sou eu!

.: Quando você desenha, cria, pinta… Quando você entra no seu processo criativo, o que você sente?
A arte me conforta. É a maneira de mostrar o que sou a partir do que faço. Vejo o que sou quando vejo um desenho meu: me reconheço. Não há mais como existir num mundo que não seja o que eu estou construindo.

.: O que e quem te inspira?
Saber que o que me faz bem e feliz pode fazer bem a alguém também.

.: O que te motiva? Qual o seu propósito no mundo?
Não almejo marcar minha presença no mundo. Me contento muito aquecendo o coração das pessoas nos poucos instantes em que veem uma obra minha que me traduz. Quero apenas sentir que o que faço desperta sensibilidade, é importante para alguém. Não a minha importância, mas o significado da minha arte para alguém.

.: Por que você faz o que você faz?
Primeiramente, porque escolhi fazer o que amo. Preciso sentir que o que faço faz diferença na maneira de sentir para alguém. O desenho é minha forma de traduzir no papel como vejo o mundo.

.: 3 coisas que fazem de você uma mulher do futuro.
– Ter tomado as rédeas da minha vida e escolhido a direção que quero seguir apesar do que impõe o mundo ao meu redor.
– Fazer o que amo e tocar as pessoas de uma forma única.
– Escolher ser feliz.

.: Uma grande lição que fez de você a mulher que é hoje {que você aprendeu e pode compartilhar}.
Aprendi que tudo na vida tem o poder e importância que a gente dá.

.: Que conselho você dá para a mulher que está te lendo e quer ter uma vida com mais propósito e felicidade <3 {mas que, por algum motivo, não sabe como fazer isso}?
Quando as coisas não fizerem mais sentido e nada mais prender você, não tenha medo de trocar o roteiro. Você só descobre novos caminhos quando muda a direção.

.: Como você deixa sua marca no mundo {e de quebra deixa ele melhor}?
Não tenho essa ambição de marcar o mundo, mas sei que posso despertar coisas boas nas pessoas que vivem nele. Cada atitude é uma semente.

Reflexões que tirei dessa entrevista:
>> Às vezes, acontecem situações difíceis na vida da gente – e a gente – fica sem entender. Ou se questiona: por que comigo? Calma, tudo tem um porquê pra ser. Às vezes, tem que ficar ruim pra ficar melhor

>> Eu também cheguei em um ponto da minha carreira que o que eu fazia não me alimentava mais. Eu até poderia conviver com isso. Era cômodo na época. Mas decidi largar tudo e zerar minha história, mesmo enfrentando o medo todos os dias. Com a Lala também foi assim e pode ser com você.

>> A gente aprende a lidar com o medo. Se você quer muito algo na vida, mas fica com medo, vai ou faz com medo mesmo. A vida é curtinha demais pra você nem tentar.

Este texto faz parte da série “Mulheres do Futuro”. O objetivo dessas entrevistas é contar a história de mulheres incríveis, que trabalham com coisas completamente diferentes, que possuem um senso de mudança arrebatador. Mulheres que desejo ver cada vez mais num futuro bem próximo. A cada semana, vou contar a história de uma delas e, espero de coração, que elas também possam te inspirar a correr atrás dos seus sonhos.

Todas as entrevistas serão em formato ping-pong (pergunta e resposta). As perguntas são bem parecidas para quase todas. E a ideia é essa mesmo, observar a perspectiva de resposta de cada uma de acordo com o seu mundo.

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